segunda-feira, 30 de março de 2015

A GAVETA


Certamente isso acontece com muita gente. 
Havia muito tempo que não abria determinada gaveta e ontem, por acaso, precisei fazê-lo para guardar alguma coisa.
Para minha surpresa, eis o que encontrei nela... uma "Secretária Eletrônica".
Daí fiquei pensando nesse gesto simples que resultou em encontrar essa coisa simples e que durante algum tempo me foi tão útil.
Na sequência, passei a pensar que isso certamente ocorre com outras gavetas, com outras coisas e outras memórias.
E por quê não também com gente, com pessoas ? Não que estas guardemos fisicamente nas gavetas das nossas vidas, mas sim o que de bom ou de ruim elas nos deixaram na memória em forma de alguma coisa que nos remeta a elas.
E por quê não também com determinados momentos, fatos, épocas, costumes, estilos, etc ,
Ainda mais, e por quê não com a nossa própria vida ?
Acredito que a nossa vida transcorre no tempo contado e fatiado em instantes, momentos e fases que vão se acumulando em gavetas. Algumas destas podemos abrir por querer, outras por acaso e outras nunca por não querer ou não ter interesse em querer.
Ao fim de tudo, quando todas as gavetas estão cheias, ou até mesmo vazias, a depender do que restou apurado ao longo do tempo, resta-nos tão somente a piedade das outras pessoas para nos colocar na última e definitiva gaveta.
E, dessa última, nunca vi registro que ninguém tenha conseguido abrir, sair e tirar nenhuma relíquia ou memória.
Assim são as gavetas. Assim é a vida.
PM